Beatriz Segall após queda: ‘’Felizmente não atingiu a vista, agora é só esperar que passe’’. Se tem uma coisa que simboliza por excelência o desrespeito ao ser humano no Brasil pelos poderes públicos e população que faz o que bem entende, estas são as calçadas. Cada casa, prédio, estabelecimento comercial, camelôs ocupam, constroem e destroem ao bel prazer aquilo pelo qual pagamos via IPTU e que deveria servir aos pedestres. Sem esquecer das cias. de luz,gás,água e esgotos, telefonia, representantes de prefeituras e governos estaduais que, além de destruir reiteradas vezes, não obedecem regra alguma de urbanização e urbanidade. Palmas para eles e para nós que caímos, tropeçamos, quebramos e não gritamos. Calçadas desniveladas, esburacadas, horrorosas, calçadas rebaixadas sempre mais do que a lei permite, para um, dois, três carros, ocupando o espaço que deveria ser de quem anda e estaciona. E ninguém toma conhecimento. Por isso, principalmente, gente mais velha tem medo de andar na rua, cai mais porque não tem a habilidade dos jovens para pular obstáculos, equilibrar-se para evitar o tombo, ossos fortes protegidos por músculos que há muito já se foram. E quando motoristas se apropriam delas para estacionar seus carros, nada incomum no Rio de Janeiro, por exemplo? É mesmo o fim ou o auge da barbárie. Tomara que Beatriz Segall comece um movimento contra o desleixo e desrespeito dos poderes públicos e dos cidadãos de quinta categoria que só pensam em si mesmos, achando que o que é de todos é seu. Até nisso a distorção secular se reflete: a da privatização do bem público pelos governantes e pelo povo que não vê em si mesmo as deformidades que tanto critica.

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