Foram só dois amistosos de Neymar pelo Barcelona e menos de 90 minutos em campo. Mas pelo pouco que já se viu do brasileiro com uma camisa azul-grená, uma coisa ficou clara: ele não tem nada a ver com o estilo do time. Enquanto os atletas que jogam no time há anos circulam a bola rapidamente e priorizam o deslocamento sem bola, o brasileiro prende, segura, chama o jogo para si e abusa das jogadas individuais. Mas isso não é necessariamente ruim. A questão é: quem vai se adaptar, Neymar ou o Barcelona? O Barcelona vive um momento de transição. A máquina construída por Guardiola, que deu sinais de desgaste em 2012 e foi desmontada pelo Bayern em 2013, busca novos ares com a chegada de Neymar. É possível que a introdução do brasileiro dê ao Barça uma alternativa importante, um elemento imprevisível para os adversários. Mas algumas adaptações precisarão ser feitas, e é natural que haja algumas dificuldades para isso. O mais simples para Neymar será se ajustar à marcação pressão do Barcelona, que fez tanta falta sob o comando de Tito Vilanova, mas deve voltar com força total com Gerardo Martino. Ele tem energia de sobra para correr no ataque, e já está acostumado a atrapalhar a saída dos rivais desde os tempos de Santos. Na Copa das Confederações, Neymar foi um dos líderes da pressão que a Seleção Brasileira impunha aos adversários, sobretudo no início das partidas. O mais complicado, porém, será o papel tático na hora de atacar. Os jogadores que atuam nas pontas do ataque do Barcelona – posição que deverá ser ocupada por Neymar – costumam participar menos do jogo. A tarefa deles é manter o posicionamento aberto, para alargar a defesa adversária e dar espaço para que Messi, os meio-campistas e os laterais trabalhem a bola. Na “era de ouro” do Barça, Villa e Pedro faziam essa função com perfeição, esperando próximos à linha lateral o momento exato de se infiltrar em diagonal e receber passes em profundidade de Messi, Xavi ou Iniesta. Mas esse não é o jogo de Neymar. O brasileiro, no Santos e na Seleção, ficou acostumado a ser o centro das atenções, receber a bola a todo momento e até buscar jogo próximo aos volantes quando a partida estava difícil. Essa liberdade não será dada a ele no Barcelona, mas também não pode ser tirada dele completamente – caso contrário, não faria sentido contratá-lo. Neymar vai precisar se adaptar um pouco, principalmente no posicionamento para receber a bola e no tempo que passa com ela no pé. Mas o Barcelona também terá que se ajustar e ter paciência para acolher o talento de sua nova estrela.

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