Bradley Manning foi considerado culpado por espionagem e outros quinze crimes. O soldado americano que entregou documentos ao WikiLeaks foi considerado inocente do crime de 'colaborar com o inimigo'. O veredicto de Bradley Manning saiu depois de oito semanas de julgamento. A promotoria o acusava de trair seu juramento militar e os Estados Unidos ao ajudar a Al Qaeda - isso porque a organização terrorista pode acessar os documentos secretos liberados pelo militar ao WikiLeaks. A defesa tentou, durante o processo, anular a acusação de "colaborar com o inimigo", mas teve o pedido negado pela juíza militar Denise Lind. Na ocasião, a juíza disse que Manning "sabia que estava fornecendo informações ao inimigo". O transcorrer do processo, no entanto, levou à absolvição do soldado nessa acusação específica. O resultado foi comemorado pela defesa porque abre ao réu a possibilidade de solicitar liberdade condicional ou redução de pena, a depender do texto da sentença, que será anunciada nesta quarta-feira. As penas de Manning devem superar os 100 anos de prisão. Ele foi declarado culpado por vinte das 21 acusações - cinco por espionagem, cinco por roubo, uma por fraude de informática e nove infrações militares. Defesa - A estratégia da defesa foi sempre a de tentar livrar Manning do crime de traição, posição defendida pela promotoria com o argumento de que o soldado havia sido advertido sobre os riscos de sua conduta. Embora assumisse a culpa de dez das vinte acusações, o soldado negou desde o primeiro momento que qualquer de suas ações tivesse por objetivo ajudar grupos terroristas e prejudicar os Estados Unidos. Os advogados buscaram mostrar o militar como um jovem ingênuo e bem intencionado. A justificativa para o repasse de 700.000 arquivos secretos ao WikiLeaks era, por exemplo, o desejo do soldado de provocar um debate entre os americanos sobre as operações militares dos EUA no Afeganistão e no Iraque. Em suas alegações finais, o advogado David Coombs afirmou também que seria "suposição" acreditar que o inimigo (a Al Qaeda) visitasse a página do WikiLeaks pela internet. Ele ainda alertou que condenar Manning por colaborar com o inimigo abriria um perigoso precedente contra qualquer um que fornecesse informações para a imprensa.

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