terça-feira, 30 de julho de 2013

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A hora e a vez das mocinhas quase vilãs

Desde o advento da Nina (Debora Falabella), de Avenida Brasil (2011), que elas voltaram à moda com força total. As mocinhas quase vilãs – com seus comportamentos dúbios e mais próximos dos seres humanos da vida real – ganharam espaço na telinha. A rainha delas, atualmente, é Amora (Sophie Charlotte), de Sangue Bom, que é capaz das piores maldades, mas sofre desesperadamente, derramando rios de lagrimas, como as heroínas tradicionais. Mas Paloma (Paolla Oliveira) e Amarilys (Danielle Winits), de Amor à Vida; Vitória Villar (Lilia Cabral), de Saramandaia; a Ester (Grazi Massafera), em Flor do Caribe – em maior ou menor escala – também mentem, enganam, reagem com violência e cometem injustiças. Realmente essas “mocinhas” não são nada fáceis! Mesmo tendo Malu (Fernanda Vasconcellos) como uma mocinha mais clássica e Giane (Isabelle Drummond), como heroína fora dos padrões, Amora é o principal nome feminino da trama das 7 e deveria ser para ela a torcida do público. O amor que a it Girl sente por Bento (Marcos Pigossi) é sincero e seu triste histórico de abandono e solidão deveria conquistar a solidariedade do espectador. Parte dele realmente sente pena da moça, mas a grande maioria a rejeita. E é mesmo difícil gostar da Amora. Nas mãos doentias de Bárbara Ellen (Giulia Gam), ela se tornou arrogante, grosseira, fria, sem um pingo de caráter ou sentimentos nobres. Por vezes, um sopro de bondade surge no ar, mas logo é lançado no mar de amargura que se tornou o coração da modelo. E o mais impressionante é que quanto mais maldade ela pratica, mas sofre. Interpretar Amora Campana deve causar um tremendo desgaste físico e emocional em Sophie Charlotte, já que a personagem transita nos polos emocionais, como amor/ódio, euforia/depressão, carinho/desprezo… Hoje, Sophie só chora menos do que Paolla Oliveira, mesmo assim porque a lourinha esta no ar com dois trabalhos mega dramáticos: a Sônia, de O Profeta, e a Paloma, de Amor à Vida. É muita lágrima mesmo, gente! E Sophie não deixa a peteca cair. Talentosa, ela segura os arroubos sentimentais da Amora com garra e dá prazer acompanhar o crescimento da moca e seu desempenho já é um dos melhores do ano. E por falar em Paloma… A sofredora das 9 conseguiu a proeza de, mesmo tendo tido a filha roubada logo após parir num banheiro fétido, ganhar a antipatia do público. Tudo porque não deu a Bruno (Malvino Salvador), o homem que ama, o simples benefício da dúvida. Não seria preciso muito raciocíno para concluir que era fisicamente impossível para Bruno estar, ao mesmo tempo, no bar onde Paloma teve Paulinha (Klara Castanho) e também acompanhando o parto de Luana (Gabriela Duarte). Uma simples conversa resolveria tudo, mas Paloma preferiu manter Paulinha em cárcere privado e impedir que a menina – convalescente de um transplante de fígado – pudesse ter contato com o homem que a criou e a trata maravilhosamente bem. E ainda existiram várias outras atitudes irresponsáveis que tornaram a medica uma personagem complexa. É claro que Paloma é um desafio para qualquer atriz, mas, para o grande público, ainda é complicado conviver com uma heroína de caráter duvidoso. Para quem, afinal, a pessoa vai torcer? Amarylis é outra criatura bem complicada… Ela é do mal: Não, mas está engando os amigos, fingindo que vai ser apenas a barriga de aluguel para o filho que Eron (Marcello Antony) e Niko (Thiago Fragoso) “encomendaram”, mas convenceu o médico a usar seu material genético e assim se tornar 100% mãe da criança. E, como se não bastasse, ainda vai seduzir Eron e tentar roubar o marido de seu amigo de infância. Pensando bem, que safada! Mas a dermatologista faz isso sempre com um tom de boa moça e com lágrimas de crocodilo nos olhos. Vitória e Ester não estão no patamar das anteriormente citadas. Mas a mocinha da trama das 6 simplesmente não consegue confiar no amor de um homem que ficou sete anos encarcerado e enfrentando trabalho escravo, mas durante todo esse tempo só a idolatrava, sonhando poder reencontra-la. Cassiano (Henri Castelli) é cego de amor por Ester e ela já questionou várias vezes seus sentimentos e foi extremamente grosseira com Cristal (Moro Anghileri), que sempre jogou limpo com ela. Vai ser ciumenta e insegura assim no Caribe que a pariu! Ao menos Grazi Massafera consegue passar para o espectador toda essa complexidade da Ester com bastante eficiência. Já a personagem de Lilia Cabral em Saramandaia é de uma omissão irritante. Ela permite que a filha Zélia (Leandra Leal) nutra um ódio doentio por Zico Rosado (José Mayer), sem saber que o usineiro é seu verdadeiro pai. Há qualquer momento pode acontecer uma tragédia por causa dessa rivalidade e Vitória assiste a tudo passivamente. E ainda se refestela na cama do formiguento, carregando alguma culpa, mas sem fazer ada com ela. Um pouco mais de transparência e verdade não faz mal a ninguém, minha cara. O mundo mudou. As mocinhas não são mais as mesmas. E o público acompanha atônito a essas transformações, que acho extremamente positivas. Só que difíceis de assimilar. Nada melhor numa obra de arte do que personagens com moral duvidosa, recheada de conflitos e muito polêmicas. Talvez residam aí as características que fazem com que as vilãs sejam mais atraentes do que as heroínas. Mas só saberemos com o passar do tempo se elas irão ser as mocinhas quase vilãs conseguirão criar raízes no universo dos folhetins. Tags: Avenida Brasil, Débora Falabella, Flor do Caribe, Grazi Massafera, jorge brasil, lilia cabral, novela, Novelas, Sangue Bom, Saramandaia, Sophie Charlotte



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